Nos últimos anos, a Sanepar desenvolveu diversas iniciativas associadas com o biogás de suas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), com o intuito de ratificar seu potencial de recuperação de energia. Estas ações foram temas abordados no primeiro dia do Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu. O evento segue até 8 de junho e reúne cerca de 300 especialistas da Região Sul do Brasil.

A Companhia atende mais de 7,1 milhões de pessoas com serviços de coleta e tratamento de esgoto e possui mais de 200 ETEs, distribuídas no Estado do Paraná, que utilizam a tecnologia de digestão anaeróbia e que, consequentemente, geram rotineiramente como subproduto o biogás.

Estima-se que pelo menos 54 GWh/ano (Gigawatt-hora ) de energia elétrica poderiam ser gerados se todo o biogás produzido fosse utilizado para tal fim. Para gerar as estimativas a Sanepar utilizou o ProBio 1.0, um programa de computador desenvolvido por meio de uma parceria entre a Sanepar e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Destaca-se que a Sanepar participa ativamente das atividades do Probiogás, projeto originado da cooperação técnica entre o governo brasileiro, por meio da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, e o governo alemão, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH. A cooperação teve como um de seus objetivos ampliar o aproveitamento energético de biogás no setor brasileiro de saneamento, contribuindo para a redução das emissões de gases do efeito estufa.

Projetos
A empresa conduz uma série de trabalhos que já permitiram colocar em prática os conhecimentos adquiridos ao longo do Probiogás. Um deles é o projeto Paraná Bem Tratado, que prevê uma linha de financiamento de 50 milhões de euros do banco alemão KfW. Além da utilização do biogás para aproveitamento energético (elétrico ou térmico). O projeto contempla a reabilitação, a ampliação e a implantação de ETEs.

“Em tempos em que o aquecimento global e as mudanças climáticas são assuntos de repercussão mundial, a implementação de ações de eficiência energética torna-se fundamental para minimizar impactos ambientais e para reduzir emissões de gases indutores do efeito estufa”, destaca o gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Sanepar, Gustavo Possetti.

A Sanepar tem conduzido também diversos projetos de pesquisa e desenvolvimento, gerando produtos aplicáveis para a empresa. A ETE Ouro Verde, localizada em Foz do Iguaçu, foi a primeira usina brasileira de geração distribuída de energia elétrica movida a biogás oriundo do tratamento anaeróbio de esgoto a ser cadastrada junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) – e a primeira no país a aderir ao sistema de compensação de energia elétrica preconizado pelas Resoluções Normativas da Aneel nº 482/12 e 687/15, sendo enquadrada como unidade microgeradora.

A empresa desenvolve projetos para mensurar e recuperar o biogás que permanece dissolvido no esgoto tratado dos reatores anaeróbios. Esses estudos, inéditos, foram desenvolvidos a partir de uma Cooperação Técnica e Científica com instituições da Alemanha. Os resultados indicaram concentrações de metano dissolvido no esgoto entre 10 e 35 mg/L e taxas de recuperação superiores a 80%.

Outro projeto é a utilização do biogás como fonte de calor para a secagem e higienização térmica do lodo proveniente do tratamento de esgoto. A companhia possui um programa de referência voltado para a reciclagem agrícola do material e vislumbra otimizar as ações operacionais inerentes ao programa por meio do tratamento térmico do lodo. Nesse sentido, os estudos objetivam desenvolver alternativas para ETEs de pequeno, médio e grande porte.

Com o intuito de implementar um projeto inovador de geração de energia elétrica a partir do biogás proveniente da co-digestão de lodos e de resíduos orgânicos de ETE, a Sanepar integrou uma sociedade de propósito específico, a CS Bioenergia. A planta está em construção e após inaugurada terá capacidade instalada inicial de 2,8 MW (Megawatt ) de potência elétrica. Isto é suficiente para gerar, 22.440 MWh/ano, o que daria para suprir o consumo de cerca de 12,6 mil residências por 12 meses.

“Por meio da conservação e do uso racional da energia, bem como a partir do aproveitamento dos potenciais de geração de energia limpa, tem-se almejado a sustentabilidade não apenas econômica, mas também a social e a ambiental”, conclui Possetti.

FONTE: Agência de Notícias do Estado do Paraná

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