por Eduardo Athayde

A Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), instalou a Comissão Global sobre a Geopolítica da Transformação Energética no inicio de 2018, visando acompanhar o rápido crescimento internacional das energias renováveis e dos esforços de promoção do desenvolvimento sustentável. “Os recursos de energia renovável são abundantes, sustentáveis e têm o poder de melhorar significativamente o acesso à energia, segurança e independência”, disse Adnan Amin, Diretor Geral da IRENA.

O Brasil, destacado e observado internacionalmente pelo potencial natural das suas fontes energéticas renováveis, alcançou nesta última semana de fevereiro 13 Gigawatts (GW) de capacidade instalada de energia eólica. O vento chega a abastecer mais de 10% do país em alguns meses (mais de 60% do Nordeste), suficiente para suprir 24 milhões de residências por mês. A Bahia, com 93 projetos eólicos em operação e capacidade instalada de 2.410,04 Megawatts (MW), dispõe de parque industrial com grandes empreendimentos instalados como a GE/Alstom, Gamesa, Torrebras, Acciona, Torres Eólicas do Nordeste (TEN), Wobben Windpower e Tecsis.

Veja no gráfico abaixo:

O modelo de mercado livre permite a compra e produção de energia pelo consumidor. Além de abastecer a sua demanda energética, as empresas podem comercializar energia excedente, contribuindo para descarbonizar as economias onde atuam. Hoje, estados da federação oferecem isenção de impostos sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS) sobre energia renovável.

A nível nacional, as Teles querem liderar a corrida. A meta da Oi é que 42,5% da energia consumida seja oriunda de fontes limpas em 2019. As duas fazendas de fontes renováveis mistas (eólica e solar), contratadas pela Oi, devem adicionar 3 mil unidades consumidoras de energia (UCs) este ano. Hoje, as 63 mil UCs da Oi consomem 1,6 mil GWh em um ano e a empresa quer ter 22 fazendas de fontes mistas até 2021 e busca parceiros para 20 novas estruturas no Nordeste e Sudeste. Segundo a empresa, a conta anual de energia da Oi seria de R$ 1,1 bilhão. No entanto, com esta iniciativa, será reduzida para R$ 750 milhões.

A meta da Claro Brasil, dona das marcas Claro, Net e Embratel, é que 80% das 55 mil UCs sejam atendidas via geração distribuída até o fim de 2018, quando a empresa espera contar com 45 usinas. O projeto conectaria mais UCs à geração distribuída do que o montante atendido no país atualmente. A Vivo, maior grupo de telecom do país, onde 26% da energia consumida é limpa e oriunda do mercado livre, tem por meta atingir 60% até 2020, e informa que está prospectando iniciativas de geração distribuída que devem ser anunciadas ao mercado ainda em 2018.

Movimentos por autogeração de energia também ocorrem em outros setores da indústria. Em 2014, a Honda inaugurou um parque eólico na cidade de Xangri-lá (RS) para suprir a demanda energética da empresa em território nacional. Projetos similares foram desacelerados com a crise, mas desde o ano passado houve uma retomada e outros setores da economia estão interessados na autoprodução, diz Élbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

Hoje, com a queda dos custos, o domínio chinês e a concorrência em tecnologia de bateria, 20% da eletricidade mundial já é produzida por energia renovável. Enquanto o Ministério de Minas e Energia (MME) estimula a criação de instrumentos que facilitem a eficiência energética na indústria, a Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco) trabalha metodologias para a certificação para a indústria, incentivando a adesão a um selo como exigência para a inclusão no cadastro de fornecedores de baixo carbono.

Eduardo Athayde é diretor do WWI-Worldwatch Institute no Brasil – eduathayde@gmail.com ​

Fonte: Correio*

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