Biogás

BIOGÁS E BIOMETANO

Todo resíduo orgânico, como os restos de comida, frutas e vegetais, os efluentes agroindustriais, o esterco animal e o esgoto sanitário, sofre ações de micro-organismos que o decompõem sem a presença de oxigênio. Esse processo, conhecido como digestão anaeróbica ou biodigestão, gera gases — metano e CO2, principalmente, e ainda oxigênio (O2) e ácido sulfídrico (H2S) — que, se não aproveitados, são liberados no meio ambiente, contribuindo para o aumento do efeito estufa.

O biogás é a mistura de gases resultante da biodigestão e, por conter metano, pode ser utilizado para a geração de energia. Quando submetido a um processo de purificação, que consiste na remoção da umidade, do CO2 e do H2S, o biogás dá origem ao biometano. Biocombustível constituído por mais de 96,5% de metano, o biometano pode substituir o gás natural e o gás natural veicular, ambos de origem fóssil (não renovável)

biogasFonte: GIZ

A matéria orgânica utilizada na produção de biogás pode ser dividida em três grupos:

  • Resíduos da pecuária e da agricultura: gerados na produção de vegetais e na criação de animais (dejetos) e na produção de vegetais, respectivamente.
  • Efluentes orgânicos: gerados nas residências ou indústrias e tratados nas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) ou nas Estações de Tratamento de Efluentes Industriais (ETEIs).
  • Resíduos sólidos urbanos: gerados nas residências e na limpeza das cidades. Na produção de biogás, somente interessa a fração orgânica desses resíduos.

RESÍDUOS OU REJEITOS?

O termo “rejeito” não é apropriado para designar os resíduos utilizados na produção do biogás. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), de 2010, preconiza que o rejeito é um resíduo sólido que não é mais utilizável, uma vez que as possibilidades técnicas e econômicas de reaproveitamento do material foram esgotadas. Por sua vez, um resíduo sólido é todo material que provém de atividades humanas e que não pode ser descartado na rede de esgotos ou em corpos d’água. Assim, quando se trata da produção de biogás, é adequado falar em “resíduos” e/ou “dejetos”, não necessariamente sólidos, ou ainda “efluentes”, que envolvem material líquido ou gasoso.

Para a produção do biogás, a matéria orgânica — seja de origem agropecuária, urbana ou industrial — é introduzida em um biodigestor. O biodigestor é um tanque hermeticamente fechado, de forma a impossibilitar a entrada de ar e acelerar a decomposição da matéria orgânica. Dentro do biodigestor, a matéria orgânica entra em decomposição anaeróbica, liberando gases e é convertida em um outro resíduo chamado de material digerido, que pode ser líquido ou sólido, dependendo da tecnologia e do tipo de matéria orgânica. Esse resíduo pode ser utilizado, após tratamento, como um fertilizante de alta qualidade: o biofertilizante. O infográfico a seguir mostra como o biogás pode ser utilizado.

img-biogasFonte: Adaptado da ABiogás.

Ao aproveitar dejetos e resíduos das atividades agrícolas e pecuárias, resíduos orgânicos produzidos nas cidades e esgoto doméstico, a produção do biogás transforma um problema em solução. Os gases que seriam emitidos na atmosfera com a decomposição desse material passam a ser adotados na geração de energia. Dessa forma, o biogás possibilita um retorno positivo para o setor de saneamento ambiental, além de reduzir os custos com energia e contribuir para a redução do efeito estufa e do aquecimento global.

GÁS NATURAL OU BIOGÁS?

O gás natural e o biogás são combustíveis distintos. O gás natural é um combustível fóssil formado quando camadas de animais e vegetais soterrados ficam submetidas a intenso calor e pressão, ao longo de milhões de anos, assim como o petróleo. Essa é uma fonte de energia não renovável, cujo uso contribui para o aumento do efeito estufa.

Diferentemente, o biogás é uma forma de energia renovável cuja utilização colabora para mitigar o efeito estufa. Isso acontece porque a decomposição, na natureza, de materiais como dejetos de animais e resíduos gera gás metano, cuja capacidade de retenção de calor atmosférico é de cerca de 21 vezes o potencial do gás carbônico. A queima de biogás gera gás carbônico, cujo impacto é menor do que o do metano que seria gerado caso aqueles materiais fossem simplesmente deixados na natureza.

Quando purificado, o biogás é chamado de biometano, que pode complementar e até substituir o gás natural em todas as suas aplicações. Em 2015 o biometano foi reconhecido como combustível (Resolução Nº 8/2015 de Biometano, ANP), podendo ser utilizado na mesma forma como o gás natural ou gás natural veicular (GNV).

Consolidação do biogás no Brasil

O potencial anual de abastecimento do biogás é de aproximadamente 23 bilhões de metros cúbicos, com a geração de 37 milhões de megawatts, energia suficiente para suprir toda a necessidade elétrica do estado do Rio de Janeiro. Além disso, têm crescido iniciativas para a ampliação do uso eficiente do biogás na matriz energética brasileira, a exemplo do PROBIOGÁS, projeto implantado por meio de cooperação técnica internacional entre Brasil e Alemanha.

Com o objetivo de estabelecer condições para tornar o biogás e o biometano fontes energéticas seguras no país, a Associação Brasileira de Biogás e Biometano (ABiogás) trabalha na implementação de um Programa Nacional de Biogás e Biometano (PNBB), cuja proposta de texto foi lançada pela entidade em dezembro de 2015. A expectativa é a criação, pelo Governo Federal, de um grupo de trabalho interministerial para avaliar e efetivar o programa.

Referência Bibliográfica: GIZ no Brasil

No Brasil, os próprios consumidores podem tornar-se produtores de energia elétrica a partir do biogás e ter essa produção conectada à rede elétrica. Isso é possível, conforme se viu no tópico Geração Distribuída, pelo esquema de compensação estabelecido pela ANEEL, em que a energia gerada vai para o sistema elétrico e compensa o consumo energético dos responsáveis por essa geração.